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Gabriel Medina: das ondas de Maresias ao título Campeonato Mundial de Surfe

Voltar Por David Marcelino

"Pai, eu quero ser campeão mundial." Tudo o que o garoto da Praia de Maresias sonhava aos 11 anos, quando o surfe se tornou sua missão de vida, virou realidade com a conquista épica nos tubos de Pipeline, no Havaí, em 2014. Gabriel Medina, aos 20 anos, se transformou no primeiro campeão mundial de surfe do Brasil, um fenômeno em um esporte até então dominado por americanos e australianos.

 


Gabriel Medina, em 2014, Campeão Mundial de Surfe (Foto: Divulgação)

 

Não importa o que aconteça daqui para frente, Gabriel Medina já tem seu lugar cativo na história do surfe. Um dos membros de maior destaque da "Brazilian Storm", apelido dado à nova e talentosa geração de surfistas do país, Medina deixou para trás lendas do esporte, como Kelly Slater e Mick Fanning, para ter seu nome lembrado para sempre.

 

Nascido em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, Gabriel Medina surfou suas primeiras ondas aos nove anos. Por influência do padrasto Charles Rodrigues, que, além de um verdadeiro pai, é seu treinador particular, não demorou muito para o menino, e o técnico, perceberem que o esporte não seria apenas um passatempo de criança, mas algo que transformaria suas vidas.

 


Desde muito cedo, Gabriel sabia o que queria: ser campeão mundial (Foto: Divulgação)

 

Com 11 anos Medina ganhou o seu primeiro campeonato a nível nacional, foi a etapa Rip Curl Grom Search, que rolou em Búzios, no Rio de Janeiro. Depois disso não parou de crescer e não estamos falando só de tamanho e idade. Ele conquistou campeonatos do Brasileiro Amador e foi campeão dos circuitos Volcom Sub-14, Quicksilver King of Groms, Rip Curl Grom Search e foi tricampeão paulista.

 

Destacando-se nas categorias de base do país, Medina começou a se arriscar em terras estrangeiras. Não vieram títulos logo de cara, mas não dá para reclamar de seu desempenho. Na Califórnia, foi vice do Volcom Internacional Sub-14 e, no Equador, vice-campeão do Mundial Amador Sub-16.

 


Gabriel com seu padrasto e treinador, Charles Rodrigues (Foto: Reprodução/ SBT)

 

Aos 14 anos já fazia as finais nas competições do Paulista Profissional e, pela primeira vez, participou das etapas de acesso do Mundial Profissional, quando, em Ubatuba, conseguiu deixar para trás seu ídolo Adriano de Souza, o Mineirinho. Em julho de 2009, ainda aos 15 anos, Gabriel fechou um contrato com a empresa australiana Rip Curl e profissionalizou-se de vez. Dez dias depois venceu o WQS Maresia Surf International, em Florianópolis, sendo, assim, seu primeiro título no circuito mundial.

 

Depois de dois anos batalhando por um lugar ao sol nas categorias de acesso da elite do surfe mundial, Medina começou a brilhar. Em 2011, com as conquistas do WQS 6 estrelas Prime em Imbituba, Santa Catarina, os dois WQS 6 estrelas na França e na Espanha, Gabriel chegou no WCT. E não apenas chegou, mas já mostrou o que viria pela frente. Com apenas 17 anos, chamou atenção não só após conseguir executar um backflip nesta temporada, uma espécie de salto mortal de costas, mas também por vencer as etapas nos Estados Unidos e na França.

 


Desde que foi campeão, Gabriel Medina continua figurando entre as primeiras posições no Campeonato Mundial (Foto: Cestari)

 

Em 2014, mais experiente e bem preparado, Medina mostrou logo na primeira etapa que aquela seria sua temporada de maior destaque. Após de passar pelos australianos Mick Fanning, duas vezes, e Taj Burrow, o brasileiro disputou a final com o também anfitrião Joel Parkinson. Na decisão, venceu por 16.33 contra 16.27 e levantou a primeira taça daquele ano.

 

Gabriel chegou na última etapa do circuito mundial, realizada em Pipeline, no Havaí, com Mick Fanning e Kelly Slater ainda na disputa do título. Com a ajuda do argentino nacionalizado brasileiro Alejo Muniz, que derrotou tanto Slater quanto Fanning em duas baterias diferentes, Medina foi campeão antecipado ainda nas quartas de final, após bater o brasileiro Filipe Toledo e o havaiano Dusty Payne.

 


A família é parte determinante na trajetória do surfista (Foto: Divulgação)

 

Em 2015 foi vice-campeão da etapa de Pipe Masters, perdendo para o brasileiro Adriano de Souza em uma final inédita brasileira, terminando o campeonato mundial em terceiro lugar, atrás do australiano Mick Fanning. Em 2017 foi vice-campeão mundial de surfe em uma batalha contra o seu grande rival John John Florence, após um começo de temporada com uma lesão no joelho, ele se recuperou durante a temporada, vencendo inclusive duas etapas consecutivas no circuito mundial, chegando a Pipe Master como um dos postulantes ao título.

 

 

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