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“Santistas” largam tudo pelo sonho de viver no exterior

Voltar Por David Marcelino

Você com certeza conhece alguém que já abandonou o trabalho, a família e os amigos para viajar ou trabalhar mundo afora? De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, cerca de 500 mil brasileiros estavam no exterior. E, há um ano, esse número já tinha ultrapassado os 3 milhões.

 

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O número de brasileiros que trocam o Brasil pelo exterior cresce a cada ano (Foto: iStock/iStockphoto)

 

Informações contabilizadas pela Receita Federal mostam que pouco mais de 18,5 mil brasileiros deixaram o país em definitivo no ano passado, mais do que o dobro dos quase 8 mil que foram viver no exterior em 2011. Pessoas com carreiras consolidadas, casa própria e vida estável que abrem mão de tudo isso para morar em países europeus ou norte-americanos em busca de melhor qualidade de vida ou de melhores oportunidades.

 

A jornalista Fernanda Haddad, quando decidiu trocar Santos por San Diego, na Califórnia, há um ano e meio, atuava como repórter no jornal de maior circulação da cidade. Conta que sempre teve vontade de morar fora, experimentar uma nova cultura, aprender uma nova língua. “Nada melhor do que o inglês, que é, hoje, a linguagem mundial, explica ela.

 

Para se virar bem no lá fora, a fluência no idioma e uma formação acadêmica são indispensáveis. No Canadá, uma exceção, o estrangeiro pode cursar dois anos em um college - equivalente ao nosso ensino médio - para se inserir com mais facilidade no mercado de trabalho. Funciona como um “curso profissionalizante”, que deixará o estrangeiro preparado tecnicamente. Mas nem todo mundo está disposto a assumir um cargo “mais humilde” no exterior e isso pode trazer frustração.

 

Na Terra do Tio Sam, ao contrário de muitos brasileiros, Fernanda seguiu pelo caminho da legalidade. Iniciou uma espécie de pós-graduação, mas que não o está ligada à sua área de atuação aqui no Brasil. Chama-se Masters of Businesses administration in Hospitality Management e, basicamente, abre portas para o trabalho legal em hotéis e restaurantes. “Foi a forma mais fácil que eu achei para entrar no mercado de trabalho daqui, uma vez que, para exercer minha profissão de jornalista, eu teria que ter o inglês perfeito e um vocabulário bem extenso”, completa.

 

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A jornalista Fernanda Haddad mora em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos (Foto: Acervo Pessoal)

 

Já a publicitária e executiva de contas Luana Salles se despediu de Santos, há pouco mais de um ano, para viver em Dublin, na Irlanda. Movida pelo sonho de morar fora e, assim como Fernanda, aprender inglês com quem fala a língua, abraçou, sem pensar duas vezes, a oportunidade que lhe apareceu. “Eu tinha a minha prima que já estava fazendo intercâmbio em Dublin na época, e isso me ajudou muito também na questão da insegurança, por ter alguém aqui que poderia me ajudar no que eu precisasse”, conta ela.

 

Hoje, além de estudar o idioma, de segunda à sexta-feira, a curitibana - mas santista de coração, como muitos de nossos compatriotas, se mantém atuando como cleaner e au pair, e não se arrepende da decisão que tomo. “Foi uma grande mudança na minha vida, mas foi uma das melhores escolhas que fiz! Estou muito feliz”.

 

Desde o dia em que nascemos, ficamos condicionados a acreditar que devemos seguir um certo padrão para que possamos ser incluídos na sociedade. Tudo o que é foge à essa normalidade pode causar constrangimento, logo fica claro que fomos criados para que jamais nos distanciássemos desses padrões sociais considerado normais. Este conceito envolve se formar na escola, escolher um curso e ingressar na faculdade, fazer estágio, subir de cargo de tempos em tempos, arrumar um par, se casar, ter filhos, comprar uma casa, mobiliá-la e provavelmente passar bons anos pagando por tudo isso. Esse é um estilo de vida que pode, sim, ser interessante para bastante gente, mas, em contrapartida, também existem aquelas pessoas que não se encaixam nesse esquema de e que acha um desperdício ter que viver conforme os padrões alheios.

 

Fernanda sente saudade da família e dos amigos, mas diz ver mais pontos positivos do que negativos nessa vida longe de casa. “É um crescimento pessoal muito grande. Você aprende a lidar com situações adversas por você mesmo”. E não pensa em voltar tão cedo. “Quando escolhi fazer o curso, sabia que seria um compromisso de, pelo menos, mais dois anos. Eu acabei de começar, então volto para o Brasil só para visitar mesmo, pelo menos por enquanto”.

 

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A publicitária Luana Salles mora em Dublin, na Irlanda (Foto: Reprodução/ Facebook)

 

Luana, além da falta que sente dos seus, se preocupa com o cenário do mercado de trabalho que encontrará em seu retorno. “Quando voltar para o Brasil, vou ter que tentar entrar novamente na minha área, a gente fica com um pouco de receio, mas creio que quando chegar a hora as coisas se vão se encaixar, pois estou aqui estudando inglês para melhorar o meu currículo profissional também”.

 

“Quanto aos meus  planos para o futuro ainda não sei dizer ao certo, ainda tenho um tempo de estudo por aqui. Mas acredito que finalizando meu curso aqui volto para o Brasil e quero retornar a minha carreira”, finaliza ela.


 

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