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São Paulo Fashion Week encerra sua edição mais democrática e plural

Voltar Por David Marcelino

A 44ª edição da São Paulo Fashion Week, que se encerrou na última quinta-feira, 31 de agosto, foi marcada, especialmente, por críticas à tal “ditadurada moda. Desde as modelos de diferentes idades, passando pelo debate sobre o famigerado conceito de beleza, a volta às raízes, até a colaboração de comunidades dedicadas ao artesanato.

 

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O desfile da Animale aconteceu fora da Bienal do Ibirapuera (Fotos: Divulgação)

 

O mais importante evento da moda nacional começou no sábado, 26 de agosto, com um desfile fora da Bienal do Ibirapuera, local oficial do evento. Uma tendência exposta, por exemplo, por marcas como Animale, que, pioneira, levou o público a uma de suas principais loja para exibir seus 21 looks da mais recente coleção com inspiração vietnamita.

 

A estilista Gloria Coelho, proprietária da marca que carrega o seu nome, estreou sua nova linha - a "The Crown" - longe da fervo do SPFW, levando à passarela  mulheres de diferentes idades, levantando a bandeira de uma moda menos restritiva.

 

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Glória Coelho  apresentou lindos vestidos de organza com flores (Fotos: Divulgação)

 

Ronaldo Fraga trouxe a sua primeira linha com peças, exclusivamente, de praia, depois de duas edições seguidas com desenhos voltados para temas atuais como transfobia e refugiados. O mineiro trouxe à passarela um desfile totalmente transgressor que, além de modelos de diferentes tamanhos e idades, incluía pessoas que tiveram membros amputados.

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Ronaldo Fraga se inspirou nas praias brasileiras dos anos 20 e nas tendências francesas da época
(Fotos: Divulgação)

 

E ele foi além! A camiseta branca usada por Fraga era, praticamente, um manifesto. Na peça em que uma marca simulava um ferimento por tiro havia a frase: "Mr. Presidente, você não pensa no Brasil, pense nos netos do Michelzinho" - fazendo uma alusão ao decreto que liberou uma área protegida de 47.000 km² da Amazônia para a exploração mineral, que depois foi anulado.

 

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O manifesto do estilista Ronaldo Fraga (Foto: Reprodução/ Instagram)

 

Lab Fantasma: representatividade na SPFW

Na noite em que a Lab Fantasma encheu de orgulho e representatividade a passarela da mais famosa semana de moda do país, um triste acontecimento quase ofuscou todo o brilho de mais um desfile da marca. O rapper Evandro Fióti, dono da Lab  junto ao irmão e também rapper Emicida, denunciou ter sido vítima de racismo durante o evento. O triste episódio aconteceu na terça-feira, dia 29 de agosto.

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O rapper Evandro Fióti, um dos donos da Lab Fantasma (Foto: Reprodução/ Facebook)

Segundo Fióti, um segurança da São Paulo Fashion Week barrou sua entrada ignorando completamente o fato dele estar credenciado e ser dono da marca que faria um dos desfiles do dia. “Ser preto é ser barrado pelo segurança do evento até mesmo quando é da sua marca e com pulseira”, desabafou o rapper sua rede social naquela mesma noite.

O caso chama atenção porque a Lab Fantasma exalta justamente a arte da rua e o hip hop, assuntos que quase não aparecem no segmento de alta costura. E essa missão ficou nítida no desfile da marca na SPFW.

LAB.jpg A LAB apostou no universo do hip-hop para essa edição do SPFW (Foto: Divulgação)

A terceira participação da Lab no evento fez do desfile um verdadeiro show, que contou com a presença de personalidades como Thaíde, BNegão e MC Carol. A coleção, batizada de Avuá, em alusão ao voo dos pássaros e à liberdade, foi apresentada por modelos, completamente fora dos estereótipos da moda, que desfilavam em frente a uma projeção de pássaros.

Em nota oficial, a Lab disse que Fióti só conseguiu a liberação após o segurança contatar seus superiores. E acrescenta que, desde que estreou na SPFW, há três temporadas, a Lab "vem reforçando a importância da representatividade e levando a rua para as passarelas, diversificando o casting de forma muito natural".

Todos os tipos de beleza

A Natura, marca de cosméticos e patrocinadora da SPFW, aproveitou o evento para levantar a discussão sobre o conceito de beleza no Brasil.

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O estilista Victor Apolinário, no encerramento da SPFW (Foto: Fotosite)

Com a hashtag #TodaBelezaPodeSer, a Natura convidou os internautas de todo o país a opinar sobre o que é beleza. O resultado final foi uma linha criada em tempo real dirigida pelo estilista Apolinário, da marca Cemfreio. O desfile, voltado para todos os tipos de corpo, encerrou a semana de moda, na noite da última quinta-feira, dia 31 de agosto.

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