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RAP CAIÇARA: A CULTURA HIP HOP PRESENTE NA BAIXADA SANTISTA

Voltar Por Isabela dos Santos

O RAP surgiu na Jamaica e logo após se espalhou nos Estados Unidos na década de 70, prevalecendo nas regiões mais pobres. Atualmente é apreciado por públicos e pessoas de diferentes classes sociais, pois foi inserido na indústria musical. No Brasil vários nomes importantes surgiram, inclusive Criolo, um dos rappers mais conhecidos. A mensagem presente na letra caracteriza o estilo, assim usa-se informações e experiências pessoais através de rimas e jogos de palavras para sustentar a ideia que se quer transmitir ao ouvinte.

 

Além das músicas compostas e gravadas, existem as batalhas, nas quais dois rappers ficam frente a frente disputando na improvisação de rimas. Os competidores fazem a inscrição antes que se inicie a batalha, que dura até que os dois melhores cheguem a final e a plateia decida o vencedor. Em Santos (SP), um grande número de pessoas estão se envolvendo com tal competição. Mais de 90 edições já foram realizadas pela  batalha da Conselheiro que acontece toda quarta na praia da Avenida Conselheiro Nébias a partir das 18:30 horas.

 

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Foto: Fotógrafo MK

Batalha da Conselheiro edição 93. Competidores: Cacau e Paini


Andressa Araújo é uma das figuras conhecida por ter ganhado inúmeras edições da batalha. “ O RAP é tipo um órgão do seu corpo e quando você vai rimar parece que esse órgão começa a pulsar como se fosse seu coração” afirma em entrevista. A Rapper de 22 anos, desde a infância gostava de música, mas só em 2015 quando disputou pela primeira vez na Batalha da Conselheiro, resolveu seguir esse caminho. Agora mais experiente ela disputa batalhas pelas cidades do estado de São Paulo.                                                                

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Foto: Reprodução/Facebook

Andressa disputando a Batalha da Matrix em São Bernardo do Campo em 2016.

 

No Freestyle como é conhecida essa improvisação, os competidores necessitam de preparação, tanto para fazer rimas boas quanto para não se perder no que querem dizer. Andressa acredita que o estudo em conhecimentos gerais preenchem a insegurança e fortifica o conteúdo da mensagem  para que consiga realizar rimas com inteligência.

 

Ela relata um episódio quando ouviu falar em Frida Kahlo pela primeira vez em uma batalha então foi procurar sobre ela, e garante que as competições trazem conhecimento. Por isso o treinamento é essencial e a busca por novas informações proporciona uma bagagem intelectual para que se sinta sempre preparada “Eu procuro ler bastante livros, estar sempre muito informada das coisas, ler jornal, procurar saber. A primeira vez que eu ouvi falar sobre a Frida foi numa batalha e eu não sabia quem era até então, foi uma coisa que me levou a pesquisar, a saber, então acho que quando você começa a aprender mais, a adquirir mais coisas na sua mente, você vai ter sempre a palavra certa, se eu for querer rimar não vai ter uma rima que eu não vou fazer. Então acho que o treino, a leitura, você ouvir outros tipos de sons, não só rap, também é muito bom, trabalhar dicção, tem que passar realmente o que você quer dizer e ter cuidado no que fala, também é muito importante.”, conta.

 

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Foto: Reprodução/Facebook BancaNPN
Andressa Também faz parte do grupo NOIZ POR NOIZ. O clipe VOL.1 está disponível no Youtube.

 

Existem desentendimentos entre os que fazem parte desse cenário, conhecido pelo termo Rap Game, em resumo, quando se utiliza do rap para tratar com desrespeito e superioridade outra pessoa através da música, como também para falar de ostentação. Mas Andressa prefere ficar de fora dessas brigas internas e comenta sobre um trecho de sua primeira música solo que faz referência a esse comportamento Primeiro Passo diz tudo que eu quero dizer, eu não quero atrapalhar ninguém, só quero fazer a minha parte e como eu sou um elo disso quem me atrapalha se autoatrapalha porque rap é união.”

 

Apesar de ser uma competição, as batalhas servem para divulgar a cultura HIP HOP na qual o rap está inserido. Andressa ressalta que não precisa de ofensa pessoal para que se consiga vencer “Independente se você está ali, você tem que atacar seu oponente mas não precisa ofender, entendeu? E tem que ter respeito, você tendo o respeito com seu oponente as pessoas também vão te dar isso. Porque respeito gera respeito.”, finaliza.

 

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Foto: Reprodução/Facebook

 

Os talentos do Rap Caiçara que denominam os representantes da baixada santista estão sendo revelados em grande parte através dessas batalhas. O final de semana contempla as demais regiões, toda sexta-feira na praça da FATEC em Praia Grande (SP) acontece a batalha "Hip Hop Por Prazer" a partir das 21:30, Sábado do lado do shopping La Plage no Guarujá "Batalha do Centro" a partir das 21:30, Domingo no Sambódromo da Zona Noroeste "Batalha da ZN" a partir das 19:30.

 

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