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LINIKER E A LIBERDADE DA MODA SEM RÓTULOS

Voltar Por Bruna Carvalho

Foto: Reprodução/Instagram

A 6ª edição do Santos Jazz Festival irá acontecer nesta semana, durante os dias 27 e 30 de julho (de quinta a domingo), e dessa vez, terá como uma das atrações principais o show de Liniker e os Caramelows. Comemorando o centenário da primeira gravação do estilo musical, com uma ode às mulheres, a diversidade de gênero e a representatividade cultural, nada mais justo, do que ter uma estrela autointitulada como “bicha, preta e pobre” – característica das principais minorias presentes em nosso país.

Foto: Reprodução/Instagram

Liniker de Barros Ferreira Campos, nasceu em 1995, na cidade de Araraquara, interior de São Paulo. A voz rouca de timbre grave que dá vida às canções do grupo, teve o nome escolhido por seu tio; a ideia surgiu a partir de um goleador da seleção inglesaGary Liniker. Mas não se engane ao pensar que essa referência teve algum predomínio em sua vida – muito pelo contrário – ao invés de optar a bola de futebol, a cantora preferiu colocar uma blusa em sua cabeça e descer o escorregador da creche que frequentava imaginando-se com os longos cabelos pretos da princesa Pocahontas.

Foto: Reprodução/Instagram

Talvez essa informação tenha lhe causado o questionamento: Liniker não é um homem? Biologicamente, a informação está correta, mas internamente, ela se identifica como mulher transexual – quando há um físico masculino, mas a forma de pensar, e de agir, é de uma mulher, ou seja, identificando-se com o gênero feminino. Por isso a aparência marcada por batons escuros, brincos grandes, saias, vestidos, e turbantes no cabelo.

Essa liberdade de ser quem é surgiu principalmente a partir da aceitação de sua mãe. Dessa forma, Liniker – uma dos nomes mais relevantes da música brasileira contemporânea - se tornou símbolo de resistência das minorias, principalmente negras, homossexuais e transexuais.

Foto: Reprodução/Instagram

O nome que se dá para o estilo da cantora é o genderless, traduzindo para o português, sem gênero. Mesmo sem a pretensão dessa nomenclatura, a precursora dele é a estilista Coco Chanel, que durante a década de 1920 criou a calça pantalona, e a camisa bretão, inspirada no armário masculino que vestia com conforto e praticidade a marinha francesa.

João Pimenta (Foto: Nicole Heiniger (SD MGMT) / Produção de moda: Larissa Lucchese e Paulo Martinez (SD MGMT))

João Pimenta (Foto: Nicole Heiniger (SD MGMT) / Produção de moda: Larissa Lucchese e Paulo Martinez (SD MGMT))

O cenário fashionista ainda não havia se preocupado tanto com as peças agênero, o assunto veio à tona somente com o desfile de Jonathan Anderson durante a semana de moda de Londres em 2013, quando desfilou meninos de vestidos, tops, shortinhos de lã com babados em formato ladylike. Posteriormente, ao assumir a direção criativa da Gucci, Alessandro Michele trouxe para a passarela do inverno masculino de 2016, homens e mulheres vestindo as mesmas roupas, dificilmente identificáveis pelo sexo.

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Peças de Jonathan Anderson na semana de moda de Londres, em 2013. Foto: Reprodução/Pinterest

A inglesa Silfridges foi além, e criou um projeto que propunha uma experiência de compras sem a divisão por seções femininas e masculinas, com peças assinadas por nomes como Body Map, Nicopanda, e Toogood. A ideia foi reproduzida de maneira mais simplória em coleções das fast-fashions Zara e C&A.

Assista ao vídeo

Moda Genderless | Steal The Look Styling Tips

Que tal inserir esse estilo no seu guarda-roupa? O genderless vai muito além de uma “nova” aparência, trata-se de uma liberdade de escolher a roupa que se sente mais confortável em vestir. Lembre-se de uma coisa: as peças que no armário não passam de pedaços de pano.

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Foto: Leila Penteado. Reprodução/Facebook

Essa segunda passagem do grupo pela cidade de Santos marca um excelente momento na carreira, entre turnês internacionais na Europa e Estados Unidos. Quem for assisti-los poderá conferir os grandes sucessos do disco Remonta que possui referências nacionais com letras sobre amor e relacionamentos. O show acontecerá no dia 28 de julho (sexta-feira), ás 23h, nos Arcos do Valongo (Rua Comendador Neto, nº9, centro da cidade – atrás do Museu Pelé). A entrada é franca.

 

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