Beach Class Magazine


Um amor chamado charuto

Voltar Por Ana Júlia Luz

O charuto era considerado um presente dos deuses pelos aborígenes norte-americanos, antídoto contra veneno das cobras (astecas), com poderes milagrosos (maias) e elemento principal em rituais de iniciação por nativos do amazonas. Até que em 1492, Cristóvão Colombo desembarcou em Playa Blanca (Cuba) e a história do tabaco, até então desconhecido na Europa medieval, começou a mudar.

Ao chegar na Espanha, o charuto ganhou notoriedade. O primeiro grande estadista a apreciá-lo foi o Príncipe de Gales, Edward VII. Sir Winston Churchill e John F. Kennedy foram  outros nomes influentes mais recentes. Para contar alguns detalhes dessa lenda marcada por paixão e prazer, convidamos Thomas Andreas Behlau Ziemer, empresário Paulista de 29 anos, apreciador e pesquisador de charutos há mais de 14 anos.

Em entrevista à Beach Class, Thomas comentou algumas curiosidades e deu dicas para àqueles que desejam iniciar nesse universo. Confira:

 

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BC. Desde o início de sua história, o charuto surgiu na vida das pessoas de diferentes formas. Como surgiu na sua vida?

T. Tinha um humidor de charutos na casa dos meus pais e eu sempre abria a caixa e sentia os aromas dos charutos, já percebendo que eles tinham diferentes tamanhos, formatos e aromas, mas o charuto veio a se tornar algo mais sério aos 20 anos de idade, quando comecei a fumar charutos melhores e com mais freqüência.   

BC. É notória a paixão com que falam, degustam e estudam o assunto. Esse encantamento refere-se mais do que ao tabaco, aos “rituais” que envolvem esse fumo?

T. Costumo dizer que nao paro 1h do meu dia para fumar um charuto, o charuto que me acrescenta 1h no meu dia. Sou fascinado pelo charuto, não só pelo tabaco em si, mas também pelo ritual de escolher um puro, cortar e acendê-lo...Comprá-los e guardá-los em meus humidores acompanhando a evolução e envelhecimento, as rodas de amigos que se formam quando fumam...    

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BC. Quais as principais diferenças entre o charuto e outros fumos, como o cigarro tradicional / palha?

T. O charuto é composto por três principais "partes", a tripa que é o blend de folhas de tabaco ou "recheio" do charuto responsável por mais de 95% do sabor do charuto, o capote que envolve as folhas do blend e a capa que dá o acabamento final no charuto e permite que a fumaça passe pelo charuto sem vazar, chamamos de fluxo. O cigarro de palha é um tabaco, podendo ser de corda, envolto em palha de milho, muito tradicional na cultura caipira brasileira. O cigarro é um fumo, enrolado em papel com mais de 5.315 substâncias agregadas quimicamente, sendo que 4.700 são tóxicas e nocivas à saúde. A grande diferença é que o charuto não se traga, se degusta a fumaça na boca e logo é expelida, o cigarro de palha e o cigarro comum são compostos por fumos picados e são tragados, podendo causar grandes malefícios à saúde.      

BC. Para àqueles que desejam aventurar-se pela primeira vez, há características que ajudam na escolha de um bom charuto?

T. Alguns charutos ficam melhores com o tempo se forem acondicionados em condições ideais de temperatura (18-22 graus celsius) e umidade (68-72%), esse tempo de guarda é relativo, mas podendo já sentir diferença com 6 meses de guarda de um bom charuto de folhas inteiras. O bom charuto é subjetivo, mas quando for comprar um charuto, ele não pode estar duro ao toque, pois mostraria que está seco e mal armazenado, precisa ter um aroma agradável e se possível, um certo brilho na capa, uma leve oleosidade.  

BC. Para acompanhar aconselha alguma bebida?

T. Uma bebida é primordial, seja ela água mineral para limpar a boca e hidratar ou um vinho do porto, single malt, cachaça ou até um café! Vai do gosto de cada um.

BC. E qual seu charuto favorito?

T. Gosto muito de fumar Partagás D4, Romeo y Julieta Wide Churchill e Trinidad Vigia.

BC. Thomas Ziemer, agradecemos pela entrevista. Fique a vontade para encerrar e comentar o que desejar.

T. Vou terminar esta entrevista com uma frase que gosto muito: "O charuto é quase uma extensão do meu rosto. Este é um dos meus vícios, é vício confessável, exibido. Um bom charuto é um prazer cotidiano, mágica fumaça consoladora." (Câmara Cascudo, folclorista brasileiro)

 

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Fotos: charutos.com / revista eno

 

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