Beach Class Magazine


De baterista a colecionador, João Barone fala sobre seus tesouros

Voltar Por Ana Júlia Luz

Para saber um pouco mais sobre o universo dos colecionadores, a Beach Class conversou com um especialista no assunto: João Barone, que se intitula baterista da banda Paralamas do Sucesso nas horas vagas e colecionador de relíquias militares em tempo integral.

O pai do músico foi um dos soldados da Força Expedicionária Brasileira que lutou na Segunda Guerra: “Lá, ele dirigia jipes”, comenta. Fato que influenciou na escolha da coleção, o desejo para tal, no entanto, só surgiu em 1999, quando resolveu restaurar um jipe: “Descobri várias pessoas interessadas no assunto”. Interesse que virou coisa séria. Tanto que logo em seguida fundou no Rio de Janeiro, um clube dedicado aos colecionadores de veículos militares.

João Barone Veículos militares

Sabemos que toda coleção exige esforços e encontrar o item pretendido quase nunca é fácil. No caso dos veículos militares, é preciso garimpar em regiões longínquas, velhas oficinas e ferros-velhos, “Além disso, achar peças originais também exige pesquisa, principalmente nos sites de leilões como eBay”, comenta. O custo do restauro, e claro, a dificuldade e história envolvidas garantem às peças grande apelo emocional: “Poucos proprietários têm coragem de vender seus carros, pois desenvolveram uma relação afetiva com eles”.

Podemos dizer então, que a maior felicidade de um colecionador é encontrar à venda um item “raro” e bom preço? Barone concorda, “Descobrir alguma coisa interessante cujo preço esteja coerente, sem olho grande do vendedor… E quem acha um jipinho detonado, mas que compense o custo do restauro, é sempre uma felicidade”. Vale lembrar que o Exército Brasileiro trouxe de volta muitos jipes usados na Segunda Guerra.

Veículos militares antigos

Toda coleção tem também alguns itens peculiares preferidos. O baterista comenta que o dele é uma caixa de primeiros socorros que os jipes levavam sob o painel: “Comprei e dentro vieram todos os itens originais como bandagens, latinha de sulfa, pacotes de algodão, torniquete..”

Ao contrário do que muitos pensam, colecionar não se trata de “acumular” itens e doá-los a museus. Trata-se, entre tantas coisas, de valor sentimental, de orgulho por aquelas peças e de poder desfrutá-las.“Meu espaço está mais para uma garagem que para um museu. Uma garagem tem carros que rodam, vivos. Um museu é para coisas paradas, estáticas. O grande prazer é rodar com meus carros, passear num domingo ensolarado. É uma terapia”, finaliza.

joão barone veículos militares antigos

 

Fotos: Arquivo pessoal João Barone / Divulgação